Pirarucu Imprimir E-mail
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Escrito por Luciano Cebula   

Nome científico: Arapaima gigas Cuvier

o Pirarucu (Arapaima gigas) á um peixe exclusivo da BaciaAmazônica e característico das águas calmas de suas várzeas. Vive em lagos e rios tributários, de águas claras, brancas e pretas ligeiramente alcalinas e com temperaturas que variam de 24° a 37°C, não sendo encontrado em zona de fortes correntezas e águas ricas em sedimentos.

A espécie apresenta características biológicas e ecológicas distintas: de grande porte, seus espécimes podem atingir até três metros de comprimento e 250 quilos, possui dois aparelhos respiratórios, as brânquias, para a respiração aquática e a bexiga natatória modificada, especializada para funcionar como pulmão, no exercício da respiração aérea, obrigatória; durante a seca os peixes formam casais, procuram ambientes calmos e preparam seus ninhos, reproduzindo durante a enchente; é papel do macho proteger a prole por cerca de seis meses. Os filhotes apresentam hábito gregário, e durante as primeiras semanas de vida, nadam sempre em tomo da cabeça do pai, que os mantém próximos à superficie, facilitando-lhes o exercício da respiração aérea.

Apesar de ser uma espécie resistente, essas características ecológicas e biológicas tomam o Pirarucu bastante vulnerável à ação dos pescadores. Os cuidados com os ninhos, após as desovas expõem os reprodutores à fácil cap-tura com malhadeiras ou à fisga com haste e arpão. Durante o longo período de cuidados parentais, a necessidade fisiológica de emergir para captar ar ocorre em intervalos menores, ocasião em que os peixes são arpoados. O abate dos machos, após as desovas, expõe os filhotes à predação por peixes carnívoros, especialmente as piranhas e a longa fase de imaturidade sexual (3-5 anos) propicia a captura de espécies juvenis. chamados "bodecos", de peso variando entre 30 e 40 quilos, diminuindo o sucesso reprodutivo.

Com a intensificação da pesca comercial no Baixo e Médio Amazonas nas últimas três décadas, os estoques pesqueiros vêm sofrendo uma pressão cada vez mais intensa, gerando impacto profundo nas populações das principais espécies comerciais, e, no caso específico dos pirarucus, os dados da literatura, embora controversos, indicam uma tendência geral à sobrepesca, fato agravado pelas características biológicas da espécie que não favorecem uma recuperação rápida dos estoques.

As medidas legais de proteção ao Pirarucu na Bacia Amazônica foram implementadas a partir de 1991, por meio da Portaria n? 480, de 3 de março de 1991, proibindo anualmente o exercício da pesca do Pirarucu no período de 1? de dezembro a 31 de maio, correspondente ao tempo de desova e cuidados parentais. Em 1993 estabeleceu-se o tamanho mínimo de 1,0 (um metro) para a comercialização da manta ou posta seca (Portaria 014-N, de 15 de fevereiro de 1993) e finalmente, na Portaria n° 1 .534, de 20 de dezembro de 1993, estabeleceu-se o tamanho mínimo de 1,5 metros para a sua captura, visando sua exploração racional. impedindo, do ponto de vista legal, a captura de espécimes jovens, que ainda não reproduziram. Muito embora a legislação defina o tamanho mínimo da captura, a fiscalização é dificultada pelo fato do peixe ser comercializado principalmente salgado em mantas, impedindo assim a avaliação precisa do tamanho do animal.

Alimento tradicional entre as populações ribeirinhas, seu alto valor reside em seu grande porte e no excelente sabor de sua came, notadamentc quando beneficiada seca e salgada, em mantas, substitutivo do Bacalhau. Praticamente desprovida de espinhas, de sua carne se preparam diversos e saborosos pratos regionais, entre eles o famoso "Pirarucu de casaca". Suas escamas são usadas como lixa de unha ou na confecção de ornamentos, e sua língua, óssea e áspera, é largamente utilizada para ralar o guaraná em bastão. Os ovos das fêmeas também são consumidos e a pele vem sendo objeto de estudos que visam sua utilização na produção de sapatos, bolsas e vestimentas.

 

M.Sc. Constantino Pedro de Alcântara Neto

Biólogo Ambiental-Ictiólogo

IBAMA/Projeto IARA/Santarém-PA


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Pirarucu (Arapaima gigas, Cuvier 1817)

The word "Pirarucu", Brazilian vernacular designation of the species, is of Tupi origin, an association of "pira" (fish), with "urucu" (fruit of species Bixa ore/lana, which yields a reddish dye, used in the Amazon cookery and in natives' body paintings). In the Peruvian Amazon, it is called "Paiche" and in Guyana, "Arapalma". Part of the order Osteoglossiformes and the family Arapaimidae, the Pirarucu is found only in the Amazon Basin. It appears from the Orinoco, in Guiana to the Ucayali and the lower part of the Amazon River and its tributaries, living in the calm waters of the river bank pools. It is one of the biggest scaly freshwater fish of the world, reaching up to three-meter long and 250 kilograms. It has large and resistant scales, lightly grayish along its body, and reddish brown in the flanks, abdomen and tail. It feeds upon small fish, especially "cascudos", and also insects. It has aquatic respiration, through its gills, and mandatory aerial respiration, through its modified swim-bladder, specially prepared to work as a lung. They mate in the drought, and reproduce during the flood, being the male's role to protect the offspring for about six months. In spite of its being large and resistant, the Pirarucu is quite vulnerable to fishermen, who capture sexually immature species. This may lead to having the species over fished. Traditional food for the riverine populations, its meat is appreciated, being largely used in the Amazon cookery, particularly when processed like codfish. Its scales are used as nail files and in the making of typical ornaments. Its bony tongue is used as a grater and its skin may be cured and used in the making of shoes, bags and clothing.

 

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comentarios (8)
  • Pietra  - pirarucu
    Muito boa suas informações sobre o pirarucu, pois são claras e objetivas,só acho que poderiam melhorar falando sobre o manejo destes.
  • Pietra  - pirarucu
    Muito boa suas informações sobre o pirarucu, pois são claras e objetivas,só acho que poderiam melhorar falando sobre o manejo destes.
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